olá borboleta…

Gostaríeis de medir o tempo,
o infinito e o incomensurável.
Gostaríeis de ajustar o vosso proceder,
e até orientar
o curso do vosso espírito,
de acordo com as horas e com as estações.

Gostaríeis de fazer do tempo um regato
em cujas margens pudésseis sentar-vos
a contemplar o seu curso.

Contudo,
o atemporal de há em vós
tem consciência
da atemporalidade da vida;

e sabe que o hoje
é só memória do dia de ontem
e que o amanhã é sonho de hoje.

E aquilo que em vós canta
e em vós contempla,
mora ainda nos limites
daquele primeiro momento
que semeou as estrelas no espaço.

Que de vós não sente
que o seu poder de amar
é ilimitado?

Contudo, quem não sente
que esse autêntico e verdadeiro amor,
embora sem limites,
e fechado no centro do seu ser,
não se desloca
de um sentimento de amor,
a outro sentimento de amor,
nem de actos de amor
a outros actos de amor?

E não é o tempo, como o amor,
indivisível e imóvel?

Mas se no vosso pensamento
tiverdes de medir o tempo em estações,
deixai que cada estação
abrace todas as outras.
E deixai que o dia de hoje,
Abrace com saudade o passado, e o futuro
com ansiosa ESPERANÇA.

Khalil Gibran, O profeta

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