espelho

Dentro de mim me quis eu ver. Tremia,
Dobrado em dois sobre o meu próprio poço…
Ah, que terrível face e que arcabouço
Este meu corpo lânguido escondia.

Ó boca tumular, cerrada e fria,
Cujo silêncio esfíngico eu bem ouço!…
Ó lindos olhos sôfregos, de moço,
Numa fronte a suar melancolia!…

Assim me desejei nestas imagens.
Meus poemas requintados e selvagens,
O meu Desejo os sulca de vermelho:

Que eu vivo à espera dessa noite estranha,
Noite de amor em que goze e tenha,
… Lá no fundo do poço em que me espelho.

ou será que é um retrato?

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